Percorro as ruas do teu corpo como um cavalo que galopa pelos prados, que fita serenamente as grandes nuvens escuras e apressadas, como um cavalo que foge e se escondo do medo por entre as linhas da folha condenada ao desejo e saudade, falece em cada palavra, em cada trotar

(não sei escrever)

quero
peço que me voltes a mostrar as avenidas molhadas iluminadas pelas luzes laranjas dos candeeiros e cobertas de pequenas gotas de chuva, todas elas diferentes e tão perfeitas em formas circulares mais ou menos visíveis a olho nu, que me leves aos becos das pracetas desertas e me encostes ao canto segurando-me as mãos trémulas exigindo olhares puros e sinceros possíveis de penetrar nos teus olhos castanhos cor de avelã, me oiças respirar ofegantemente enquanto morro de amor, te aproximes com os teus lábios

(parecem ondas do mar que morrem nas rochas)

com o teu rosto esculpido por Deus numa das suas horas de maior genialidade, que me possuas nos bancos do teu jardim, me agarras calorosamente sem a intenção de algum dia me largar ou ter sequer a coragem de perceber que o meu coração não mora mais em ti, perdera-se

(o amor é muito mais que um sonho?)

nessas ruas que cobrem o teu corpo.